O vento magalhânico

Hurtigruten

Tem alguns destinos que são sobre as pessoas. E a Karin e a Verena foram duas dessas figuras marcantes. A norueguesa de cabelo espetado e a mexicana de cabelo roxo, também na casa dos 40, trabalham na Hurtigruten, uma empresa de cruzeiros norueguesa que eu nunca tinha ouvido falar. Eles fazem expedições para a Antártica e outros destinos menos usuais para nós Tupiniquins.  As duas estavam tomando um chá na recepção da nossa pousada quando chegamos, umas 9 da manhã, e o papo engrenou de um jeito que o chá virou pisco e nós melhores amigas, hehe. Nos despedimos umas 4 da tarde, porque elas não vieram ao fim do mundo a passeio e tinham missões a cumprir. Confesso que rolou uma invejinha de trabalhar numa expedição para a Antártica…

Nunca tive grandes vontades de fazer um cruzeiro, muito pelo contrário. Mas esse encontro, definitivamente, mexeu comigo.  De um jeito difícil de explicar… Eu poderia dizer que achei demais descobrir que eles vão muito além do turismo e levam pessoas para expedições, com uma equipe de pesquisadores e cientistas, que têm não só uma preocupação com a natureza, mas investem pesado em inovações para preservar o ambiente a ponto do navio ser movido a energia elétrica… mas tudo isso seria pouco pra explicar o tamanho da minha vontade de entrar naquele navio. Foi amor a primeira vista. E uma urgência da-que-las em conhecer a Antártica… Fiquei “fritando” na cama à noite. E foi aí que caiu a ficha de que o vento magalhânico, um dos mais fortes do mundo, é capaz de mudar mais rumos do que a gente imagina.`

Amanheceu um dia lindo e levantamos cedo. Perfeito para o nosso passeio de bicicleta… a não ser pela meteorologia local que mostrava sensação térmica de -10o 😮 Só se ouvia o vento uivando. Silêncio total. Nenhum sinal de vida ou do café da manhã.  Esperamos um pouco e a fome apertou. Não, não tem nenhum café ou padaria na cidade. Puerto Williams é daqueles lugares pacatos ao quadrado, em que passa 1 carro a cada 15 minutos na rua principal. Pra lá do fim do mundo, uma vez que fica ao sul de Ushuaia, do outro lado do canal de Beagle, no Chile. 

Encontramos o iogurte e o suco na geladeira, o cereal e o pão na estante e não hesitei em ascender o fogão para fazer nossos ovos mexidos 🙂 Quando ja estávamos com tudo quase pronto, Maurice, o dono da pousada apareceu se desculpando e dizendo que precisou levar a ajudante ao hospital porque ela estava se sentindo mal. Ele fez um café e sentou com a gente à mesa.  Nos contou que já foi dezenas de vezes à Antártica 😮 e que também trabalha para a Hurtigurten.  Disse, ainda, que Karin é vice-presidente da empresa e que Verena é chefe do departamento de pesquisa científica. Aprendemos sobre to-das as formas de se chegar a Antártica, seus pros, contras e fascínios. 

Difícil essa vida de acrescentar um destino novo a cada um riscado da listinha, viu?

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