Pra lá do fim do mundo

De bike em Puerto Williams

De café tomado e prontíssimos pra nossa pedalada ao parque Omora, começou a… nevar! Mandei uma mensagem rápida à Patrícia, bióloga que ía nos acompanhar, avisando que atrasaríamos um pouco. Uns 10 minutos depois, colocamos os capacetes e saímos, já com sol. No fim do mundo o tempo muda numa velocidade tão absurda quanto a dos ventos, que chegam a 150 km/h. No mesmo dia, e quase todo dia, faz sol, chove, neva e fica nublado algumas vezes.

Visitar um parque com uma bióloga experiente é mais ou menos como mergulhar com oxigênio numa praia que você só conhecia da

Parque Omora
Com os musgos, liquens e seus amigos

areia. Um outro mundo se apresenta! Ela nos emprestou umas mini lupas super legais para podermos entrar no universo “micro” dos musgos, liquens e seus amigos. Provamos cogumelos, frutinhas vermelhas e folhas de calafate colhidas na hora por ela.  Uma experiência meio Darwin, meio Alice no pais das maravilhas, que vale a pena. E é lindo ver como a consciência ambiental é tão intrínseca à cultura e à educação deles.  Na volta passamos na lojinha do Maurice, que fica no centrinho do vilarejo e voilà! Lá estava a mocinha que trabalha na pousada na sua versão vendedora, hehe. Comprei uma caneca pra integrar minha coleção e dar uma forcinha pro negócio deles. Mas foi pegarmos as bikes pra voltar pro hotel pra ver que tínhamos um pneu furado…😒 A boa notícia é que não estávamos longe, então foi tranquilo empurrar as magrelas. Pedimos socorro pro Albert, que trabalha no hospital e aluga bicicletas nas horas vagas. Mais um cidadão multiuso! Ele nos explicou que a árvore do calafate solta uns espinhos que são mestres em furar pneus. E diz a lenda que comer a fruta é garantia de retorno breve. Tratamos de garantir o nosso! 😃

No fim da tarde, fomos ao porto ver o navio chegar… e partir… snif.  No caminho, cruzamos com uma criança correndo e gritando “O navio! O navio!” Num vilarejo pacato e desse tamanho é um acontecimento. Meu coração gritava junto. Chegamos a tempo de vê-lo de aproximando da costa e parando a uns 500 metros de distancia.  Lembrei das conversas da Karin e da Verena na pousada sobre a dificuldade em conseguir um píer para atracar, dado o tamanho do navio versus a infraestrutura local.  Entramos na área portuária caminhando e avistamos as meninas com pequeno grupo que ia se juntar ao cruzeiro ali, basicamente composto por um inglês que comprou a empresa há pouco tempo e sua trupe. Elas nos contaram que eles estão indo a Antártica pela primeira vez, então elas estavam correndo pra garantir que nada desse errado.  Foi então que apareceram uns botes pretos, com cara de S.W.A.T., pra buscar os hóspedes ilustres. Precisa dizer que eu fiquei “babando”? Rs

Foram uns 3 botes para levar todas as pessoas e bagagens à bordo.  Eles encostavam no navio e as pessoas entravam por uma especie de portão que o navio tem rente ao nível do mar.  Sei lá se é comum, mas achei super high tech.  Nos despedimos das meninas e combinamos de nos ver daqui a alguns anos a bordo (veja bem, será necessário um esforço e planejamento significativo…).  Maurice ficou dessa vez. E nos perguntou se poderíamos ajuda-lo porque ele tinha 2 vans e 1 carro para dirigir de volta até a pousada.  Com prazer!

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